quarta-feira, 27 de abril de 2011

Nathalia


Mais um dia de trabalho e Nathalia chega em casa, cansada, como sempre, com fome, a semana foi agitada, mais do que o normal. 

Ela vai até a geladeira, tudo que vê é jarras de água, manteiga e um resto de lasanha, sua vontade é de comê-la fria, a preguiça de esquenta-la é no microondas é grande, mas não o suficiente para impedi-la. Ela pega sua porção, quase metade do que havia, coloca em um prato e liga o microondas. Senta-se em uma cadeira enquanto aguarda os incontáveis minutos...

Um barulho de porta abrindo, passos em direção à cozinha. Pedro chegou, e trouxe flores, sem razão aparente. Ele é tão romantico, ela pensa.

Um beijo caloroso foi o suficiente para o cansaço ir embora. Ela não pensou nele, nem sequer colocou toda a lasanha para esquentar, se sentiu culpada por não ter se lembrado dele.

Durante o beijo ela se lembrou de como o conheceu, em uma cafeteria na qual foi por insistência das amigas, que a muito não as via por sinal, ele estava tão fofo tomando café e lendo um livro timidamente.

Foi amor à primeira vista, ela foi falar com ele e descobriu na conversa que ele iria fazer o mesmo curso de poesia que ela. Mais apaixonantes ainda, gostos em comum, mesmo tendo diversas diferenças de ponto de vista. Ela quase não se matriculou neste curso, pois mesmo gostando, não iria acrescentar em nada na sua vida profissional.

Depois disso foram tantas coisas compartilhadas, tudo muito perfeito, parecia destino, que tudo havia sido planejado.

Ela o amava demais, queria viver por ele, seu mundo não fazia sentido sem ele, e ela conseguiu sentir isso a cada beijo, cada toque, mas este era diferente, era mais forte, mais intenso, mais especial e ela não sabia o porquê.

Por um segundo ela parou e ficou olhando para seus olhos, podia sentir todo o amor naquele olhar.
Um bipe agudo e repetitivo começou a soar, Nathalia não entendia o porquê de a cada bipe seu amado desaparecia bem em frente a seus olhos. Lagrimas caiam  e ela não conseguia emitir som algum, ele só sorria e desaparecia a cada segundo.

No momento que ele desapareceu completamente foi que Nathalia acordou ao som dos bipes do microondas e olhos cheios de lagrimas. Pedro não existia, talvez pudesse até existir, no café que ela deixou de ir pois precisava se preparar para uma oportunidade de estágio ou no curso de poesia que ela não fez porque não acrescentaria em nada seu currículo. Ela não sabia onde ele não existia, tudo que sabia e que tinha perdido a fome. Foi ao banheiro, olhou-se no espelho e tudo que viu foi o olhar marcante de uma mulher bem sucedida.



Igor L. Arantes  20/04/2011

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